quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal da Guarda


Assunto: Poluição do Rio Noéme

Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal da Guarda


A Câmara Municipal da Guarda anunciou em Maio de 2012 o início do processo de construção de uma estação elevatória de águas residuais para despoluir o rio Noéme. Foi indicado nessa altura que o projecto teria um prazo de execução de 180 dias.

Ao longo deste tempo continuaram a existir descargas poluentes no rio Noéme, do conhecimento público e noticiadas na Comunicação Social.

Passado este tempo solicita-se resposta a estas questões:

1. Qual o ponto de situação da referida obra?

2. Em que data será finalmente destruída a conduta onde se verificam as descargas poluentes?

Certo que estas questões são do maior interesse para as populações afectadas por este problema aguardamos a Vossa resposta.


Os mais respeitosos cumprimentos,

Márcio Fonseca
Autor do blogue "Crónicas do Noéme"

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

"Ecologia, Parque Urbano e peixes mortos" in Sol da Guarda

Ainda sobre o caso da poluição num dos lagos do Parque Urbano do Rio Diz, um texto do blogue "Sol da Guarda".

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Os peixes mortos no Parque do Rio Diz e a poluição do Rio Noéme

Facto 1: Uma acção de limpeza num dos lagos do Parque Urbano do Rio Diz não acautelou a existência de peixes no local e em consequência morreram alguns, outros ficaram em agonia devido à falta de água. A Câmara Municipal disse ter as devidas licenças para a limpeza do local e que desconheceria a existência de peixes no local (talvez colocados lá por alguém). Face às "várias denúncias" o SEPNA deslocou-se ao local, investigou, ouviu técnicos da Câmara e diz que "há indícios de crime de dano contra a Natureza". "Avançámos de imediato com a elaboração de um auto de notícia por crime para o Ministério Público".


Facto 2: Existe um rio no concelho, de nome Noéme (na versão mais antiga e mais bonita Noemi) poluído desde finais da década de 80. Lá já não morrem peixes porque há muito que não existem. É conhecido publicamente um dos principais focos de poluição, assumido pelo poluidor, autorizada pela Câmara Municipal da Guarda uma descarga dentro dos parâmetros "legais". O problema tem sido denunciado às demais entidades públicas e até foi motivo de inquirição ao Governo por parte do Partido Ecologista "Os Verdes". As descargas, se não são permanentes, serão com grande frequência. Multas ou processos-crime, se existem, não têm surtido efeito. Aguarda-se uma solução que se pretendia urgente.

Ambos os factos acontecem no mesmo Concelho. É claro para quem ler isto verificar as diferenças de escala entre um problema e outro. E a completa desproporcionalidade entre as consequências de um acto e do outro. Um culmina com a instauração de um auto de notícia por crime no Ministério Público;  o outro... nada! Não se sabe de nada, não se conhecem autos de notícia, multas, consequências... é publicamente visível a impunidade!

Este é definitivamente um país de brincadeira.

Notas:

1 - Como é óbvio, o que aconteceu no Parque Urbano, falta de cuidado ou desconhecimento, não pode voltar a acontecer. É grave, indigna-me e é de facto um crime ambiental. Mas é preciso ter bom-senso na avaliação dos problemas.

2 - Esta história foi amplamente noticiada e parece que houve várias chamadas para a linha SOS - Natureza e Ambiente. Foi por ter acontecido no parque urbano? Existirá a mesma mobilização face à poluição do Rio Noéme?

3 - Os autos por crime contra o ambiente são públicos? Onde se podem consultar os processos? Podem os Cidadãos solicitar a sua divulgação pública para se saber o que foi feito aos poluidores do Noéme ao longo destes anos?

Descarga poluente no rio Noéme (18/01/2012)


Local: Gata
Data: 18 de Janeiro de 2013

Foi possível verificar uma enorme descarga de efluentes no rio, com formação de espuma (como se vê na fotografia) e um intenso mau cheiro.

Quando a poluição do Parque Urbano do Rio Diz é tema, continuam as descargas poluentes no rio Noéme.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Memórias Paroquiais - Vila Fernando

3º Interrogatório:

1 - Corre ao pé deste lugar, Vila Fernando, uma ribeira que tem aqui até entrar no Rio Coa por nome Noeime. Nasce esta e tem seu princípio das águas na cidade da Guarda, de todas as suas fontes e das águas de seus arrabaldes e quintas pela parte do Norte e quantas águas na dita cidade e seus arrabaldes chovem vêm passar pela ponte deste lugar. Saindo da dita cidade e seus arrabaldes, vêm correndo amenamente sem estrépito, e até coisa de meia légua, está logo uma ponte de cantaria muito boa a que chamam de Roidis, aonde há já moinhos e vem correndo até uma légua aonde está o lugar da Gata, freguesia do Casal Cinza, e se chama aqui a Gata. Aqui tem umas poldras de pedras por onde se passa. Tornemos à cidade da Guarda: à parte do Sul as águas de duas fontes que chamam o Chafariz de Santo André e a Fonte de Mour (...) e as mais águas da parte do Sul dos seus arrabaldes, e as águas que vêm do lugar de Porcas, que dista uma légua da cidade; junto destas águas vai correndo amenamente, sem estrépito, e já moendo moinhos com a água deste ribeiro; a coisa de meia légua está uma ponte pequena de pau, e logo abaixo está uma quinta chamada Noeime, e daqui tomou este nome daqui para baixo, e daí, coisa de meia légua, tem uma ponte de cantaria muito boa, e daqui vai correndo até se juntar com a outra (?) que vem da parte Norte da minha cidade a que chamam a Gata, como acima vai escrito, e neste sítio, antes de se ajuntarem, está um pontão de pau a que chamam o Mouratão, por estar aqui uma quinta do mesmo nome, e juntos eles vêm correndo com brandura até se meterem no Coa por ser tudo terra direita, e por este curso ter muitos moinhos, e chegando a perto do lugar do Carapito tem um pontão de pau, e mais abaixo, junto de Vila Garcia, tem outra ponte de pau, e continuando com moinhos, e chegando a este lugar que dista dele um tiro de pedrada, tem uma ponte com jazentes de pau e coberta de pedras, e tem de comprimento 75 palmos que eu medi, e terá o que toma e oclusa a água nos enchentes mais de 200 passos, e esta tem seis olhais, e muitas vezes cobre a água a maior parte da ponte; e continuando os moinhos daqui para baixo que são muitos, mas no Verão secam estas águas e não moem, e suas águas não aproveitam palmo de terra que reguem, e nas tempestades passadas deu muitas perdas às terras que levou e inundou com areias, e daqui três léguas se vai meter no Rio Coa, com o nome de Noeime.
É esta igreja de Vila Fernando aro, termo e comarca da cidade da Guarda, que dista duas léguas para a parte do Poente, muito espalhada, que se compõe de oito lugares como acima declaro, e tem 406 fogos, 1009 pessoas de confissão e comunhão, e 210 de confissão somente, e todos a esta igreja matriz e paróquia se vêm a baptizar, receber e confessar no tempo da Quaresma. Eu, pároco dela, me chamo Policarpo da Cruz, natural da vida de Açores, arciprestado da vila de Celorico, bispado da Guarda, e nesta cidade me criei e dela vim para esta igreja há 38 anos. Tenho de idade 73 anos. Isto é o que pude descobrir.

Vila Fernando, 22 de Maio de 1758
O Padre Policarpo da Cruz

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

"Dezenas de peixes mortos no Parque Urbano do Rio Diz" in O Interior

"Dezenas de peixes mortos no Parque Urbano do Rio Diz" noticia o jornal O Interior desta semana.

Os poluidores têm feito o mesmo no rio Noéme. Impunes.