domingo, 18 de julho de 2010

E quando se vê a Poluição o que fazer?

Sempre que se vir espuma, cheirar mal junto ao rio, se souber de alguma descarga, se virem plantas ou animais mortos deve-se ligar sempre para o 808200520.

Esta é a linha de atendimento do SEPNA - Brigada do Ambiente da GNR. Sempre que haja uma denúncia esta brigada vai investigar as causas e levantar um auto. Se se descobrir o poluidor a multa vem depois.

Quantas mais denúncias houver, mais possibilidade de serem autuados os culpados. Tantos processos deverão fazer pensar os poluidores sempre que efectuarem uma descarga no Rio. Também assim saberemos quem são os culpados.

Quero acreditar que a Justiça funcione.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Onde o feio mata o bonito (ou onde a vida desaparece por completo)

Este é o local onde o Rio poluído se junta ao Rio limpo.
Ao fundo ainda se vêm plantas; a partir daqui mais nada.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não é Política!...

... aconselhando "todos estes políticos a organizarem uma campanha de sensibilização para a própria população, pois é aí que se começa a limpar o rio" - (Cito de cor declarações reproduzidas no jornal O Interior)

O problema do Noéme não é de Política. É um problema de saúde pública e de justiça. A culpa é dos poluidores que deitam efluentes sem tratamento no Rio. As multas se as há não são suficientemente dissuadoras (serão cobradas?)... 

O Rio começará a ser limpo quando deixarem de deitar lá os resíduos industriais.

Até lá, os Cidadãos empenhados da Guarda e das aldeias prejudicadas pelo problema continuarão a lutar. 
Não nos fóruns da Política... nos fóruns da Cidadania que são mais fortes.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Cultura na Guarda está a saque


Está a assistir-se a um forte ataque à Cultura da Guarda. A "recomendada" redução de cortes no orçamento do TMG pode obrigar o fecho do ex-líbris da Guarda do Presente e do Futuro. 

É o que temos para vender e para nos desenvolvermos - Cultura.

Vivo em Lisboa e desloco-me frequentemente à Guarda. Podem facilmente encontrar-me no Rochoso ou no Café Concerto. Já vi na Galeria de Arte exposições a que só tenho acesso em Lisboa. Vieram espectáculos à Guarda cuja única apresentação em Portugal foi feita nesta cidade. Abrimos frequentemente os jornais e as únicas notícias positivas da Guarda têm a ver com o TMG. Vêm pessoas de todo o país propositadamente à Guarda assistir a espectáculos do TMG. E gostam.

O TMG e a Cultura na Guarda estão a saque! Os cidadãos da Guarda não podem deixar que o único pólo de desenvolvimento que aconteceu nos últimos 20 anos na Guarda seja destruído.

Tal como me disse quando comecei a escrever neste espaço há mais de um ano: Força Américo! Estamos consigo em defesa da Cultura da Guarda. 

PS: Pode conferir-se a história toda aqui e aqui

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Crónica Altitude (08 de Junho 2010)

Na semana passada apanhei o comboio regional no apeadeiro do Rochoso com destino a Lisboa. O apeadeiro do Rochoso foi inaugurado a 29 de Abril de 1924 por influência e insistência do Dr. Alberto Diniz da Fonseca que convenceu os responsáveis dos comboios da época da viabilidade e necessidade daquela infra-estrutura. Para isso organizou um retiro da Liga dos Servos de Jesus na aldeia e naquele dia, o comboio parou e dezenas de pessoas desceram. Estava provada a necessidade do apeadeiro! Em finais da década de 80 a CP tentou fechá-lo alegando que não dava lucro. O povo uniu-se, cortou a linha e o comboio só passou porque vinha escoltado pela GNR. No entanto a batalha foi ganha pois, embora com menos paragens, o comboio continua a parar. Acredito que não dê lucro; mas tem um inestimável valor social e esta é a lição que em tempos de austeridade alguns merceeiros que gerem o bem público devem reter. E também que o poder do bastão quase sempre acaba por sucumbir ao poder da razão.

Nesse mesmo fim-de-semana dei uma volta pelos campos do Rochoso. Finalmente tinha chegado a Primavera e a Natureza manifestava-se: de um lado do caminho saltava um coelho; do outro um casal de perdizes. As maias cobriam de amarelo a paisagem e o centeio ainda verde despontava. Pouco centeio infelizmente… que os braços que o ceifavam e malhavam estão já velhos e sem força. Só à volta do Noéme não existe vida. Pressente-se ao longe que ali corre um rio, mas nada se ouve, nada se vê à sua volta.

Ontem poluíram-nos o rio; amanhã se puderem os merceeiros deste tempo retirar-nos-ão mais qualquer coisa. Sempre sob o pretexto que há pouca gente, que não dá lucro… Hoje lutamos por um Rio que não soubemos defender a seu tempo. Amanhã será por outra coisa qualquer. Mas as nossas aldeias não deixarão de existir sem luta.

Dizia Monsenhor Cónego José Lourenço Pires, antigo director do Seminário do Fundão e meu conterrâneo: “É de duvidar do carácter de uma pessoa que renega ou diz mal da sua terra.” E eu acrescento: E também dos que nada fazem para a defender.


Crónica transmitida na Rádio Altitude no dia 08 de Junho de 2010.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Reunião de Câmara

Como vem noticiado no jornal A Guarda, na reunião de Câmara de dia 14 de Junho os vereadores do PSD voltaram a questionar o Executivo sobre a despoluição do Rio Noéme.

"Quanto à despoluição do Rio Noéme, foi explicado pelo vereador Vítor Santos que a Câmara vai avançar com o processo destinado à construção de uma Estação Elevatória junto da Fábrica Tavares, na zona da Gata, destinada a encaminhar os efluentes para a ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) de S. Miguel, e que os custos serão depois enquadrados no Programa PEASAR (Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais"

terça-feira, 22 de junho de 2010

Crónica Altitude (22 Junho 2010)

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Mas o Tejo não é mais bel que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é rio que corre pela minha aldeia.
- O Rio que corre pela minha aldeia chama-se Noéme. Está sujo; não tem vida - 
Nunca ninguém pensou no que há para além do rio da minha aldeia.
O Rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
- Quem polui nunca pensou no que está para além do rio da minha aldeia. Se pensasse não o fazia-
Vem sentar-te comigo à beira do rio
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa e não estamos de mãos enlaçadas.
Depois pensemos que a vida passa e não fica.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus pais, tão novos no passado!
E o menino nascia a bordo de um navio
Que ficava à noite no cais iluminado...
- Não passam navios no Noéme. 
À sua volta, só os guarda-rios, as rãs e os peixes quando os havia
Mas tem moinhos e pontões
E há anos que seca no estio - 
O rio não era rio
Nem corria. E a própria morte
Era um problema de estilo.
- A morte no Noéme não é um problema de estilo.
Acontece todos os dias. Impunemente. -


Crónica transmitida na Rádio Altitude no dia 22 de Junho de 2010.