quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Elogios (ou o que deveria ser o comportamento das empresas)

Para as empresas serem elogiadas e reconhecidas como excepcionais pelas altas entidades do nosso país não deveriam estar acima de qualquer polémica, suspeita e, mais do que as outras, ter um comportamento condizente com o elogio? A mulher de César não só tem de ser séria, como também tem de parecer.

As empresas modernas (e quem nos dera que houvesse muitas na Guarda) têm de produzir produtos de grande qualidade, contribuir para a riqueza da região e do país (e dos accionistas evidentemente), trazer mais-valias para as zonas onde estão implantadas, ter um comportamento social, ecológico, filantrópico até. Não se devem escudar no argumento simplista da criação de emprego e da sua contribuição para a sociedade por via do pagamento de impostos.

Os empresários devem sempre lembrar-se do seu papel. As suas empresas não são ilhas isoladas. São entidades inseridas num certo contexto social. Deveria até existir uma carta que servisse de guia para a captação de investimento. E se os empresários não a cumprissem então seria recusado o seu dinheiro. Certamente haveria outras regiões onde se pudessem instalar.

Se temos maus políticos, ao menos que tenhamos bons empresários. Agora, quando políticos e empresários são maus ao mesmo tempo, não se pode esperar desta conjunção coisa boa.



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Comentário de um leitor

Volto a publicar um comentário de um leitor que vem no seguimento da opinião expressa aqui. Não sei se trata da mesma pessoa ou não. Respeito a opinião mas não concordo com ela na totalidade:

"Portanto, comprova-se que a empresa tem a sua situação regular: despeja os seus efluentes num colector municipal, que é aquilo a que todos estão obrigados, empresas e particulares. Contrariamente à ideia que muitas vezes se quer passar, a empresa não despeja os seus efluentes no rio, em domínio público; fá-lo num colector municipal, gerido pela Câmara. A empresa deve até pagar uma taxa mensal para lá poder despejar os seus efluentes. E o que é que a Câmara faz aos efluentes por cujo tratamento assumiu a responsabilidade? Para os quais cobra taxas? Despeja-os no Noéme, que é a via mais fácil.
Isto, meus amigos, é um crime. E só quando quem o comete fôr criminalmente responsabilizado as coisas mudarão. Continuem a pôr as culpas na empresa, que o crime ficará por resolver..."

Há aqui diversos pontos de análise:
1. A Câmara Municipal da Guarda é responsável pela poluição do Rio. No passado porque "autorizou"; no presente porque não faz o que lhe compete para resolver o problema. É criminosa esta postura. E vai contra o prometido em campanha eleitoral, nomeadamente quando o então candidato Joaquim Valente se deslocou ao Rochoso.

2. São também culpadas, as diversas entidades oficiais sobre as quais recaem a gestão e preservação dos nossos rios: ARH's, CCDR's, Ministério do Ambiente, IGAOP, SEPNA's. Todas conhecem o problema, provavelmente todas conhecem as causas, nenhuma fez qualquer coisa para pôr cobro ao crime. Se localmente já vimos que não há competência para resolver o problema esperava-se que alguém de Lisboa ou Porto viesse deitar mão a isso. Alguém completamente independente dos (pequenos ou grandes) pod(e)res locais.

3. Sugiro que qualquer pessoa faça a seguinte experiência: em dia de descarga do colector municipal junto à Gata dirija-se à ponte e espreite o Rio Diz. Sentirá um cheiro tão intenso, tão forte que não aguentará mais de 5 minutos sem que lhe comece a doer a cabeça e terá de sair dali. Não sabemos ainda que matérias assassinas ali são deitadas (já estão a ser analisadas amostras dessa água). O Rio está completamente morto até que desagua no Côa. Se algum dia alguém sofrer consequências directas na sua saúde ficarão os poluidores tranquilos que tudo fizeram para que os efluentes que despejam nos efluentes fossem tratados? Fingirão que não sabem onde realmente despeja o colector municipal? É a velha história do ladrão, da vinha e daquele que fica à porta..

4. E porque não aplicar lógica inversa neste problema? Ou seja, se todos os poluidores do Rio sabem que a Câmara Municipal não é entidade de bem porque não cumpre os compromissos assumidos, porque não tomam cada um deles individualmente a iniciativa (e até para evitar má-publicidade) de fazer os tratamentos necessários e exaustivos para que os efluentes que saem das fabricas sejam inofensivos?

5. Sobre a responsabilidade criminal: espero que ninguém julgue que pode dormir descansado.

sábado, 13 de novembro de 2010

Documento

A imagem abaixo (retirada da reportagem do programa Biosfera) mostra a autorização oficial para este atentado ambiental.

Com que direito alguém autoriza a destruição de um recurso que por ser de todos não lhe pertence? Este procedimento está ao nível de países do Terceiro Mundo e mostra bem uma certa forma de fazer política e resolver os problemas do nosso país.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ironia

A Delegação da Guarda da RTP nunca dedicou um minuto que fosse sobre a poluição do Rio. Ironia do destino, uma grande reportagem sobre o assunto foi transmitida num programa da RTP2.

Quando por vezes surgem discussões acaloradas e (muitas vezes) académicas sobre o que é "serviço público" julgo poder dizer sem falhar muito que o programa Biosfera pode ser apontado como um bom exemplo.

domingo, 7 de novembro de 2010

A poluição acontece todos os dias

Rochoso, 31 de Outubro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

União Europeia

A União Europeia parece aquela tia rica da província que, extremosa, paga os estudos ao sobrinho na capital. Ao longo dos anos o estudante gastou todo o dinheiro na pândega e chegado ao fim dos cinco anos não apresentou o canudo quando a tia orgulhosa lhe perguntou se já era doutor.

A União Europeia é igual: andou estes anos a mandar dinheiro para nos desenvolvermos, fazermos estradas, tratarmos as nossas águas, limpar os nossos rios...

Se hoje cá viessem constatavam que nada disto aconteceu.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Declarações

Dizer que a poluição tem como causa o pequeno caudal do Rio Diz é como dizer que quem polui são os fritos que as pessoas fazem em casa.

Estão ambas ao nível da anedota.