domingo, 17 de novembro de 2019

“A morte da água”, de Ruy Belo

Um dos passeios que mais gosto de dar é ir a esposende ver desaguar o cávado. Existe lá um bar apropriado para isso. Um rio é a infância da água. As margens, o leito, tudo a protege. Na foz é que há a aventura do mar largo. Acabou-se qualquer possível árvore geneológica, visível no anel do dedo. Acabou-se mesmo qualquer passado. É o convívio com a distância, com o incomensurável. É o anonimato. E a todo o momento há água que se lança nessa aventura. Adeus margens verdejantes, adeus pontes, adeus peixes conhecidos. Agora é o mar salgado, a aventura sem retorno, nem mesmo na maré cheia. E é em esposende que eu gosto de assistir, durante horas, a troco de uma imperial, à morte de um rio que envelheceu a romper pedras e plantas, que lutou, que torneou obstáculos. Impossível voltar atrás. Agora é a morte. Ou a vida.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Já estão prontos?

Dizia o presidente da Câmara da Guarda que os trilhos do Noéme estariam concluídos até Agosto. 

Já podem "os habitantes do concelho (...) desfrutar das paisagens e do "bem-estar ambiental" existente nas margens do rio Noéme"?


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

"Os Nossos Dedos", de Sophia de Mello Breyner Andresen

Os nossos dedos abriram mãos fechadas

Cheias de perfume
Partimos à aventura através de vozes e de gestos
Pressentimos paixões como paisagens
E cada corpo era um caminho
Mas um se ergueu tomando tudo
E escorreram asas dos seus braços.

Florestas, pântanos e rios
Viajámos imóveis debruçados,
Enquanto o céu brilhava nas janelas.

E a cidade partiu como um navio
Através da noite.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

A propósito dos 100 anos de Sophia Mello Breyner

O programa "A força das coisas" transmitido na Antena 2, recuperou no sábado passado uma entrevista de 1980 dada por Sophia de Mello Breyner.

Quando questionada sobre que medidas tomaria para que "a Cultura habitasse a vida de todos os dias", uma afirmação sua, respondeu: 

"A evolução das sociedades trouxe problemas novos, nomeadamente os ecológicos, porque são problemas sociais culturais, sociais e políticos, mas na sua essência são culturais porque se as populações não tiverem possibilidade cultural de defesa serão deserdadas de todos os seus bens naturais: acabarão por não ter água nos rios, acabarão por ter um ar que não se pode respirar. Mas para que as populações possam defender os seus rios, possam defender as árvores é preciso que tenham um mínimo de consciência cultural de defesa e tudo isto está profundamente ligado à vida quotidiana. Por isso defendo que levar a Cultura à vida quotidiana é um papel que deve ser feito na Comunicação Social."

Tão actual passados 40 anos. Continuamos com os velhos e aparecem novos problemas ecológicos e enquanto sociedade ainda não defendemos como devíamos o que é nosso. A consequência? Não no mesmo sentido que lhe queremos dar aqui para terminar o post, a mesma Sophia escrevia nos "Contos Exemplares": "As casas, as pontes, as serras, as aldeias, as árvores e os rios, fugiam e pareciam devorados sucessivamente". São-no mesmo - devorados será o termo certo.




segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Condenação social

A Câmara devia divulgar a lista dos poluidores públicos e privados que diz possuir, para que ao menos a sociedade saiba quem anda a destruir o rio Noéme.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Orçamento municipal para 2020

Lemos no artigo publicado n' O Interior que "no próximo ano a Câmara quer também iniciar a fase definitiva de despoluição dos rios Diz e Noéme."

Cabe perguntar:

1. As fases anteriores já foram concluídas? Em que consistiram? Já se pode percorrer o chamado "Caminho do Noéme" na sua totalidade?

2. Em que consiste "a fase definitiva"?

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Deve andar perdida numa gaveta

A resposta a este pedido de esclarecimento deve ter-se perdido nalguma gaveta das Águas do Vale do Tejo.