terça-feira, 13 de julho de 2010

Onde o feio mata o bonito (ou onde a vida desaparece por completo)

Este é o local onde o Rio poluído se junta ao Rio limpo.
Ao fundo ainda se vêm plantas; a partir daqui mais nada.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não é Política!...

... aconselhando "todos estes políticos a organizarem uma campanha de sensibilização para a própria população, pois é aí que se começa a limpar o rio" - (Cito de cor declarações reproduzidas no jornal O Interior)

O problema do Noéme não é de Política. É um problema de saúde pública e de justiça. A culpa é dos poluidores que deitam efluentes sem tratamento no Rio. As multas se as há não são suficientemente dissuadoras (serão cobradas?)... 

O Rio começará a ser limpo quando deixarem de deitar lá os resíduos industriais.

Até lá, os Cidadãos empenhados da Guarda e das aldeias prejudicadas pelo problema continuarão a lutar. 
Não nos fóruns da Política... nos fóruns da Cidadania que são mais fortes.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

A Cultura na Guarda está a saque


Está a assistir-se a um forte ataque à Cultura da Guarda. A "recomendada" redução de cortes no orçamento do TMG pode obrigar o fecho do ex-líbris da Guarda do Presente e do Futuro. 

É o que temos para vender e para nos desenvolvermos - Cultura.

Vivo em Lisboa e desloco-me frequentemente à Guarda. Podem facilmente encontrar-me no Rochoso ou no Café Concerto. Já vi na Galeria de Arte exposições a que só tenho acesso em Lisboa. Vieram espectáculos à Guarda cuja única apresentação em Portugal foi feita nesta cidade. Abrimos frequentemente os jornais e as únicas notícias positivas da Guarda têm a ver com o TMG. Vêm pessoas de todo o país propositadamente à Guarda assistir a espectáculos do TMG. E gostam.

O TMG e a Cultura na Guarda estão a saque! Os cidadãos da Guarda não podem deixar que o único pólo de desenvolvimento que aconteceu nos últimos 20 anos na Guarda seja destruído.

Tal como me disse quando comecei a escrever neste espaço há mais de um ano: Força Américo! Estamos consigo em defesa da Cultura da Guarda. 

PS: Pode conferir-se a história toda aqui e aqui

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Crónica Altitude (08 de Junho 2010)

Na semana passada apanhei o comboio regional no apeadeiro do Rochoso com destino a Lisboa. O apeadeiro do Rochoso foi inaugurado a 29 de Abril de 1924 por influência e insistência do Dr. Alberto Diniz da Fonseca que convenceu os responsáveis dos comboios da época da viabilidade e necessidade daquela infra-estrutura. Para isso organizou um retiro da Liga dos Servos de Jesus na aldeia e naquele dia, o comboio parou e dezenas de pessoas desceram. Estava provada a necessidade do apeadeiro! Em finais da década de 80 a CP tentou fechá-lo alegando que não dava lucro. O povo uniu-se, cortou a linha e o comboio só passou porque vinha escoltado pela GNR. No entanto a batalha foi ganha pois, embora com menos paragens, o comboio continua a parar. Acredito que não dê lucro; mas tem um inestimável valor social e esta é a lição que em tempos de austeridade alguns merceeiros que gerem o bem público devem reter. E também que o poder do bastão quase sempre acaba por sucumbir ao poder da razão.

Nesse mesmo fim-de-semana dei uma volta pelos campos do Rochoso. Finalmente tinha chegado a Primavera e a Natureza manifestava-se: de um lado do caminho saltava um coelho; do outro um casal de perdizes. As maias cobriam de amarelo a paisagem e o centeio ainda verde despontava. Pouco centeio infelizmente… que os braços que o ceifavam e malhavam estão já velhos e sem força. Só à volta do Noéme não existe vida. Pressente-se ao longe que ali corre um rio, mas nada se ouve, nada se vê à sua volta.

Ontem poluíram-nos o rio; amanhã se puderem os merceeiros deste tempo retirar-nos-ão mais qualquer coisa. Sempre sob o pretexto que há pouca gente, que não dá lucro… Hoje lutamos por um Rio que não soubemos defender a seu tempo. Amanhã será por outra coisa qualquer. Mas as nossas aldeias não deixarão de existir sem luta.

Dizia Monsenhor Cónego José Lourenço Pires, antigo director do Seminário do Fundão e meu conterrâneo: “É de duvidar do carácter de uma pessoa que renega ou diz mal da sua terra.” E eu acrescento: E também dos que nada fazem para a defender.


Crónica transmitida na Rádio Altitude no dia 08 de Junho de 2010.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Reunião de Câmara

Como vem noticiado no jornal A Guarda, na reunião de Câmara de dia 14 de Junho os vereadores do PSD voltaram a questionar o Executivo sobre a despoluição do Rio Noéme.

"Quanto à despoluição do Rio Noéme, foi explicado pelo vereador Vítor Santos que a Câmara vai avançar com o processo destinado à construção de uma Estação Elevatória junto da Fábrica Tavares, na zona da Gata, destinada a encaminhar os efluentes para a ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) de S. Miguel, e que os custos serão depois enquadrados no Programa PEASAR (Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento de Águas Residuais"

terça-feira, 22 de junho de 2010

Crónica Altitude (22 Junho 2010)

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Mas o Tejo não é mais bel que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é rio que corre pela minha aldeia.
- O Rio que corre pela minha aldeia chama-se Noéme. Está sujo; não tem vida - 
Nunca ninguém pensou no que há para além do rio da minha aldeia.
O Rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
- Quem polui nunca pensou no que está para além do rio da minha aldeia. Se pensasse não o fazia-
Vem sentar-te comigo à beira do rio
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa e não estamos de mãos enlaçadas.
Depois pensemos que a vida passa e não fica.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus pais, tão novos no passado!
E o menino nascia a bordo de um navio
Que ficava à noite no cais iluminado...
- Não passam navios no Noéme. 
À sua volta, só os guarda-rios, as rãs e os peixes quando os havia
Mas tem moinhos e pontões
E há anos que seca no estio - 
O rio não era rio
Nem corria. E a própria morte
Era um problema de estilo.
- A morte no Noéme não é um problema de estilo.
Acontece todos os dias. Impunemente. -


Crónica transmitida na Rádio Altitude no dia 22 de Junho de 2010.